Na última quinta-feira (15), Belém foi palco de uma audiência pública que trouxe à tona as preocupações sobre a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, especialmente na Bacia da Foz do Amazonas e na região do Marajó. O evento, realizado na sede do Ministério Público Federal, contou com a presença de pesquisadores, autoridades, movimentos sociais e líderes comunitários de localidades marajoaras.
Organizada pela Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a audiência teve como principal foco discutir os possíveis impactos que a atividade petrolífera pode ter sobre a vida e os direitos das populações tradicionais da região. Com a Petrobras anunciando descobertas na costa do Amapá e prevendo investimentos de US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial até 2030, a tensão entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental se intensifica.
A Margem Equatorial, que se estende do Amapá até o Rio Grande do Norte, abrange o Pará, Maranhão, Piauí e Ceará, e é vista como uma nova fronteira energética. Durante o encontro, representantes de comunidades do Marajó expressaram sua preocupação com a falta de consultas antes do início dos estudos de exploração, destacando a necessidade de um protocolo de consulta que garanta a inclusão das vozes locais nas futuras decisões.
Bianca Barbosa, bióloga e quilombola, que acompanha a situação desde 2017, ressaltou que já percebe mudanças no território de Salvaterra, onde vive. Para ela e outros participantes, é essencial que as comunidades tenham maior participação nas decisões que afetam suas vidas e o meio ambiente.
A audiência também abordou os riscos ambientais e sociais associados à exploração de petróleo na região, uma preocupação que ecoa nas vozes de quem vive da terra e do mar. Com a Petrobras considerando a possibilidade de perfurações no litoral do Pará, a necessidade de um diálogo aberto e respeitoso entre as autoridades e as comunidades locais se torna cada vez mais urgente.
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