domingo, 18/10/2026

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Tribuna de Belém

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Quase 25 mil moradores de Santarém enfrentam os impactos da seca

A situação em Santarém, no Pará, se agrava com a combinação de seca extrema e queimadas, afetando profundamente a vida da população local. A lavradora Maria da Costa relata que, para encher seus vasilhames,…

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A situação em Santarém, no Pará, se agrava com a combinação de seca extrema e queimadas, afetando profundamente a vida da população local. A lavradora Maria da Costa relata que, para encher seus vasilhames, agora precisa caminhar por quase 40 minutos, algo que se tornou rotina nos últimos dois meses. “Se a gente não fizer, a gente não tem água pra beber. Tem que ir, todo dia de manhã, buscar água”, desabafa.

Os braços dos rios que antes garantiam o abastecimento agora estão praticamente secos, obrigando os moradores a enfrentarem dificuldades adicionais no dia a dia. Rosilene Pinto, uma autônoma da região, destaca como a situação está afetando o acesso à educação: “As dificuldades que o pessoal que mora mais distante tem pra chegar à escola. Agora nessa época não tem como, tudo tem que ser a pé”.

Diante da severidade da estiagem, a prefeitura de Santarém declarou situação de emergência. A expectativa de chuvas é escassa, e o nível do Rio Tapajós está quase 50% menor do que no ano passado, situando-se abaixo da cota de alerta. Estima-se que cerca de 25 mil pessoas em comunidades ribeirinhas estejam enfrentando esses desafios, sem contar com o agravamento das queimadas que consomem a vegetação e ameaçam as lavouras.

Rionaldo Pereira, uma liderança comunitária, expressa sua preocupação com a situação: “Traz impacto para nossa região. Tanto faz na produtividade, nas plantações de melancias, milhos, quanto na produção de gados, que queima a pastagem.” Para o comandante regional Cel Celso Piquet, a geografia do estado torna a situação ainda mais crítica, e ele faz um apelo à comunidade: “A gente procura já chamar a comunidade para que a sociedade venha nos ajudar, principalmente naqueles casos de colocar fogo no mato, que hoje, facilmente, se perde o controle”.

Enquanto isso, a prefeitura já está tomando medidas, enviando caminhonetes para auxiliar os ribeirinhos em busca de água. A combinação de seca e fogo não só impacta a economia local, mas também a qualidade de vida de todos os que vivem na região. A luta por água e pela preservação da natureza é uma realidade amarga em Santarém, e a esperança de dias melhores parece distante.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — peteranta (pixabay)