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Tribuna de Belém

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Senado em alta, governo em baixa: os desafios de Helder Barbalho na eleição de Hana Ghassan no Pará

A recente eleição para o governo do Pará em 2026 trouxe à tona uma reviravolta no cenário político local. O ex-governador Helder Barbalho (MDB), que se destacou ao ser eleito senador e ao levar…

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A recente eleição para o governo do Pará em 2026 trouxe à tona uma reviravolta no cenário político local. O ex-governador Helder Barbalho (MDB), que se destacou ao ser eleito senador e ao levar Chicão (União Brasil) para uma cadeira em Brasília, viu seu projeto de continuidade no governo estadual ser frustrado por uma eleição surpreendente. Hana Ghassan, sua sucessora e atual governadora, não conseguiu se reeleger, sendo derrotada no primeiro turno por Dr. Daniel Santos (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua, que conquistou 51,75% dos votos, enquanto Hana obteve 46,11%.

Esse resultado coloca em xeque a força do grupo de Helder. Embora tenha uma base consolidada, a derrota de Hana revela que a popularidade de um líder não é suficiente para garantir a vitória de um sucessor. Especialistas apontam que a polarização entre interior e grandes cidades teve um papel crucial nesse desfecho. Hana venceu na maioria dos 144 municípios, mas Dr. Daniel foi decisivo nas cidades com maior número de eleitores, como Belém e Ananindeua.

Um dos principais fatores para a derrota de Hana foi a dificuldade em estabelecer uma identidade própria. Ela assumiu o governo em abril de 2026 e teve um curto espaço de tempo para se apresentar como uma líder autônoma. Diferente de outros candidatos apoiados por Helder, que já tinham uma marca política consolidada, Hana ainda buscava ser reconhecida quando se lançou à reeleição.

A ascensão de Dr. Daniel como um rival ao “barbalismo” também foi significativa. Ele conseguiu se posicionar como uma alternativa viável, aproveitando-se do desgaste natural de um governo que estava no poder há quase uma década. Essa mudança de cenário culminou na sua vitória, que não apenas rompeu com a hegemonia de Helder, mas também revelou uma nova dinâmica nas disputas políticas do estado.

Além disso, a estratégia de Hana em relação às alianças nacionais foi criticada. Apesar de contar com o apoio de Lula, a governadora não conseguiu se conectar visualmente com o presidente durante a campanha, ao contrário de Dr. Daniel, que se aproximou de figuras da direita, como Flávio Bolsonaro. Essa falta de alinhamento pode ter feito a diferença nas urnas, especialmente em um estado onde Lula foi amplamente votado.

Com a vitória, Dr. Daniel Santos se prepara para assumir o governo em 6 de janeiro de 2027 e já anunciou que uma de suas primeiras ações será a rescisão do contrato de concessão do saneamento no estado, sinalizando um rompimento com políticas do governo anterior. A transição de Hana, que permanece governando até o final do ano, será feita de forma “democrática, pacífica e transparente”, conforme prometido por ela.

A eleição de 2026 marca um novo capítulo na política paraense, mostrando que a dinâmica eleitoral está em constante mudança e que a capacidade de adaptação e de construir uma identidade própria pode ser a chave para o sucesso nas urnas. O que se viu foi uma renovação não apenas de lideranças, mas também de estratégias, que certamente moldarão o futuro político do Pará.