Um esquema de desvio que pode ultrapassar R$ 14 milhões em contratos do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) foi alvo de uma denúncia formal do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). Entre os citados estão o ex-presidente do instituto, Nilson Pinto de Oliveira, e sua esposa, Lena Ribeiro Pinto.
As alegações indicam que houve direcionamento de licitações e diversas irregularidades na execução dos serviços contratados. As denúncias foram protocoladas na 10ª Vara Criminal de Belém e aguardam análise judicial. Em resposta, Nilson Pinto expressou indignação, mas afirmou estar tranquilo e confiante na Justiça, ressaltando que todos os procedimentos legais foram seguidos nas contratações.
A investigação, iniciada em maio de 2023, concentra-se em três contratos com a Construtora Duas Marias, que incluíam a manutenção do muro do Parque Estadual do Utinga, reformas em imóveis do Ideflor-Bio e serviços de manutenção predial. A vereadora de Bragança, Tatiana Ferreira Rodrigues, também está entre os denunciados, sendo apontada como gestora da empresa envolvida.
Os indícios de irregularidades surgiram a partir da análise de documentos administrativos, registros bancários e informações obtidas com autorização judicial. O promotor de Justiça Lauro Freitas destacou que o crescimento financeiro acelerado da construtora em um curto período levantou suspeitas sobre sua capacidade de cumprir os contratos. Além disso, foram identificadas falhas na documentação técnica e movimentações financeiras que sugerem um esquema de retorno de valores ao ex-presidente do Ideflor-Bio e a sua esposa, sem que esses recursos tenham sido revertidos em serviços prestados ao instituto.
A investigação aponta ainda que recursos públicos podem ter sido usados para a compra de imóveis no exterior e itens de luxo, configurando uma série de crimes como associação criminosa, lavagem de capitais e corrupção ativa. O MP também solicitou o afastamento de Nilson e Lena Pinto de suas funções, ambos que deixaram os cargos em julho deste ano. A situação gera preocupação e indignação na comunidade, que aguarda desdobramentos e a responsabilização dos envolvidos.

