Na última quinta-feira (29), o Ministério Público Federal (MPF) fez um alerta sério ao exigir ações imediatas contra as queimadas no Pará. A recomendação abrange a União, o estado do Pará, o Ibama, o ICMBio e a Funai, destacando a necessidade urgente de um Comitê de Crise Integrado. A proposta é que esse comitê, que deve incluir representantes com poder de decisão, seja instalado em até cinco dias para coordenar a resposta aos incêndios que assombram a região.
O MPF estipulou um prazo de dez dias para que os órgãos envolvidos informem se atenderão à recomendação e apresentem documentos que comprovem as ações que serão tomadas. A falta de resposta dentro desse período será considerada como uma recusa, o que pode levar o MPF a adotar medidas legais, incluindo ações administrativas e judiciais contra os responsáveis que não agirem.
A situação no Pará é alarmante. Os dados mais recentes do Programa Queimadas, do INPE, revelam que o estado lidera o número de incêndios no Brasil. Na quarta-feira (28), foram registrados 435 incêndios ativos, além de 140 possíveis e 473 queimadas isoladas. Somente entre os dias 1º e 27 de outubro, o Pará contabilizou impressionantes 11.274 focos de calor, enquanto o Amazonas, em segundo lugar, teve apenas 2.173.
Os municípios que mais sofrem com as chamas incluem Uruará, São Félix do Xingu, Altamira, Portel e Santarém, sendo que este último declarou emergência ambiental devido à fumaça densa que compromete a qualidade do ar. A situação se agrava ainda mais quando se considera que focos de incêndio se espalham por áreas indígenas e unidades de conservação, colocando em risco comunidades vulneráveis.
A recomendação do MPF não apenas solicita ações imediatas, mas também uma colaboração estreita entre os diversos órgãos governamentais. O objetivo é garantir a proteção dos cidadãos e do meio ambiente, especialmente em regiões onde os incêndios têm sido intencionalmente provocados. A presença do fogo, além de ameaçar a fauna e flora locais, expõe milhares de famílias à fumaça nociva.
Enquanto o MPF aguarda uma resposta dos órgãos competentes, a população paraense observa com preocupação a escalada das queimadas, que já afetam diretamente a sua saúde e qualidade de vida. O que se espera agora é que as autoridades ajam com a urgência que a situação exige, antes que o cenário se torne ainda mais caótico.
Crédito da imagem: Pará registra mais de 10 mil focos de queimadas, aponta Inpe



