Uma tragédia abalou a comunidade Munduruku no último sábado (17), quando uma menina de apenas 8 anos foi atacada por uma onça na Terra Indígena Munduruku, localizada em Jacareacanga, no sudoeste do Pará. Atualmente, a criança se encontra internada em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, a mais de mil quilômetros da capital, Belém.
O tio da menina, Ivair Datie Munduruku, informou nesta terça-feira (20) que o estado de saúde dela é crítico, mas os médicos estão otimistas quanto à possibilidade de recuperação. “Os médicos disseram que ela pode voltar a viver, mas vamos esperar o tempo de recuperação dela”, destacou Ivair em entrevista ao g1, refletindo a preocupação e esperança da família.
O ataque ocorreu enquanto a criança estava com os avós na roça da aldeia Cajual. Ela desceu até um igarapé para se hidratar, a poucos metros de seus familiares, quando foi surpreendida pela onça. Os avós ouviram os gritos da menina, mas quando chegaram ao local, ela já estava inconsciente. “O que aconteceu foi muito assustador”, disse Ivair, expressando a dor que tomou conta da comunidade.
Os ferimentos se concentraram na cabeça da menina, e a complexidade do resgate exigiu uma operação rápida. A Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) enviou um agente em uma voadeira até a aldeia, que levou cerca de 30 minutos para chegar ao local do ataque. O avô da menina, que é agente de saúde comunitária indígena, prestou os primeiros socorros antes que a equipe chegasse. Depois, a voadeira percorreu uma hora e meia até o ponto onde um avião monomotor, enviado pela prefeitura de Jacareacanga, aterrissou para continuar o resgate. O trajeto aéreo até Itaituba durou mais de duas horas.
Atualmente, a menina permanece sob cuidados médicos, e a Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) optou por não divulgar detalhes sobre seu atendimento. Em respeito às tradições do povo Munduruku, a onça que atacou a criança foi capturada e sacrificada diante da aldeia, uma decisão que reflete a cultura e a luta da comunidade pela segurança de seus membros.


